segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O ego



O que é o ego? Ele é bom ou ruim?
De acordo com a visão Freudiana:
Resumindo, Freud elaborou 2 tópicas do aparelho psíquico, sendo que a mais recente divide a psique em três instâncias: id, ego e superego. O id é a instância dos instintos, é inconsciente. É o que temos beeem dentro de nós. O superego é o oposto, é o que vem de fora, é a censura, o que a sociedade prega, o que ela nos diz para fazer, como agir, etc. O ego é a instância que fica entre o id e o superego, tentando mediar as duas, tentando satisfazer as duas. Assim, uns teriam um superego muito forte, fazendo com que o ego não deixe o que tem de mais profundo em nós agir (o id) e outros agem muito mais por impulso do que se ocupam com a “opinião” da sociedade. 

Acho que uma coisa que empaca muito a gente é que, nessa função do ego, ele cria diversos mecanismos de defesa, sendo um deles a RACIONALIZAÇÃO, que são explicações altamente racionais, são "boas razões", ainda que falsas, para nossas atitudes e fracassos, para não termos que lidar com fortes sentimentos de angústia, por exemplo.
Jung tem uma teoria um pouco diferente da de Freud, mais transcendental, eu acho, e que eu gosto bastante. Fala sobre o ego (“eu”) e sobre o self (si-mesmo). Eu relaciono o conceito de self do Jung com o conceito que conheço de eu superior, sendo este holístico, supremo. O ego aí teria a função de confrontar ou satisfazer as exigências dessa supremacia.

Nesse ponto de vista, podemos considerar que há uma certa necessidade de que o ego exista no mundo 3D em que vivemos, em que existe a mente coletiva e a sociedade é como é, porque o ego aí possibilita a vida social.


Talvez o ego precise ser transcendido e não negado ou mesmo morto. Pelo menos enquanto nos encontrarmos onde estamos. Talvez possamos manter o ego, mas deslocar a sede da consciência dele para o self, o que já entra em outro conceito de Jung, muito interessante, a individuação.


Individuação é o processo pelo qual o ser humano chega ao autoconhecimento, e é levado a estabelecer contato com seu inconsciente, não só com o inconsciente pessoal (integrando as sombras), mas também com o inconsciente coletivo. Assim, ele chega ao self e entende que ele não é o ego, mas muito mais do que isso.


Detalhe interessante: o termo individuação denota o processo pelo qual alguém se torna “in-dividual”, ou seja, uma unidade indivisível.



Veja, para chegar à individuação precisamos entrar em contato com nossos sentimentos, enfrentar nossos medos e angústias, o que tende a ser bastante doloroso, mas o resultado é a libertação da vida dominada pelo ego, ou mesmo pela mente coletiva. (Veja que aqui o ego e seus mecanismos de defesa, inclusive a racionalização, atrapalham bastante)


Ah, claro que não basta só tomar consciência, temos que ser responsáveis por nós mesmos e por nossos atos, o que vamos tentar fazer durante toda a vida (e entendo que também em outras). Acontece que se estivermos integrados, os desafios podem ser enfrentados com muito mais coragem, o sofrimento fica muito menor por enxergarmos maior grandiosidade no todo.



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